Videogames e inteligência?

Sim, é certo que diversos grupos de pesquisa como o liderado pela Dr. Daphne Bavelier da Universidade de Rochester publicaram estudos que demonstram os benefícios de videogames na aprendizagem. Em linhas gerais, eles testaram o aprendizado, a atenção e visão de grupos que treinaram 1 hora por dia jogos similares ao jogo “tiro em primeira pessoa” (First Person Shooter) comparando-os com um grupo que treinaram a mesma quantidade de tempo e freqüência  porém um outro tipo de videogame, de não ação, como é o caso do jogo Tetris. Os resultados são impressionantes! Gamers que praticaram videogames de ação  aprenderam com mais facilidade e desempenharam com mais atenção os testes designados quando comparados com os gamers que praticaram jogos de não ação. Além disso, os gamers de ação também apresentaram vantagens na resolução espacial e temporal da visão, como a identificação mais rápida de objetos ou o melhor rastreamento de múltiplos objetos.

Esses estudos apontam para mecanismos que explicam os seus resultados. A melhora de atenção e sensibilidade visual parece estar atribuída ao aprendizado durante as práticas dos jogos de ação. Na medida em que são praticados com regularidade, esses jogos desenvolvem elementos da concentração. Utilizando técnicas como eletro-encefalografia, os pesquisadores concluíram que os jogadores de videogame de ação são mais atentos pois exibem maior habilidade para inibir o processamento de informações visuais distratoras, ampliando a atenção seletiva.

Mas, não interprete mal essas pesquisas… Os tais benefícios dos videogames de ação são restritamente para essa classe de jogos com um treinamento de 1 hora por sessão, aproximadamente 5 sessões por semana por pelo menos 1 ano ! Afinal, não se pode achar que jogando 8 horas em um dia, por exemplo, obteremos os benefícios supracitados!

No entanto, não é à toa que esses estudos sobre videogames ganharam tanta divulgação! O mais importante é que esses trabalhos abrem uma avenida de perguntas tanto na área de neurociências como também na campo da medicina. Recentes pesquisas  demostram que videogames de ação podem auxiliar no tratamento de pacientes com deficiências visuais como os portadores de ambliopia , a causa mais frequente da perda visual permanente em crianças.

Com certeza é sempre muito interessante quando os estudos de pesquisa básica tem o potencial de nos beneficiar diretamente. Porém, é sempre bom ver os avanços da pesquisa por um ângulo mais crítico e menos imediatista. Tudo bem que isso parece mesmo utópico. Num mundo onde tudo tem que ser “fast” como a comida, as pessoas procuram soluções milagrosas. Mas, é preciso ficar atento para não cair em ciladas. Afinal,  pesquisas como essas são particularmente fantásticas para se aprender sobre os mecanismos de plasticidade cerebral, atenção e visão. Mas, será que precisamos buscar fórmulas mágicas para sermos mais inteligentes?

 

(Fonte: Blog Praciência)

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